A iniciativa será apresentada no Rio de Janeiro com a presença do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo
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DESARMAMENTO Início da campanha foi antecipado após a tragédia de Realengo, quando atirador abriu fogo contra crianças em escola
Com o lema “Tire uma arma do futuro do Brasil”, o governo lança nesta sexta-feira (6) a Campanha Nacional de Desarmamento 2011. O objetivo é chamar a atenção da população para o problema da violência causada pelas armas de fogo e tirar de circulação o maior número possível de revólveres, pistolas e demais itens.
A iniciativa será apresentada no Rio de Janeiro com a presença do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Participam também do evento, marcado para as 10h na sede da Prefeitura da capital fluminense, o prefeito da cidade, Eduardo Paes, e o governador do Estado, Sérgio Cabral.
No fim de semana, começam a ser veiculadas as peças publicitárias da campanha nas emissoras de rádio e televisão. Os comerciais terão a locução do ator baiano Wagner Moura, que nos cinemas deu vida ao Capitão Nascimento, da série de filmes Tropa de Elite. A campanha terá inserções de 30 e 15 segundos na TV, além de vinhetas no rádio.
A expectativa do Ministério da Justiça, que encabeça a organização da campanha e tem o apoio de dezenas de outras instituições, tanto oficiais como civis, é de que a voz do herói policial mobilize a sociedade brasileira para entregar armas voluntariamente.
Essa é a terceira campanha de desarmamento promovida pelo governo, que usa como base dados do Mapa da Violência, produzido pelo Instituto Sangari. Com as mobilizações anteriores, nas quais se estima que foram recebidas cerca de 550 mil armas, detectou-se diminuição de até 50% no índice de mortes em algumas regiões do país. De acordo com o Ministério da Justiça, 80% dos crimes ocorridos no Brasil são com armas adquiridas legalmente - a mais usada é o revólver calibre 38.
Segundo o Mapa da Violência, em 2008 foram registrados no Brasil 50.113 homicídios. Naquele ano, o número, que oscilou entre 47 e 49 mil entre 2004 e 2007, voltou a subir e se aproximou dos 51.043 homicídios ocorridos em 2003, ano em que entrou em vigor o Estatuto do Desarmamento, que regulamenta o registro, a posse, o porte e a comercialização de armas de fogo e munição no Brasil.
Novidades
A campanha deste ano terá algumas novidades em relação às versões anteriores. Uma delas é o anonimato. Agora, quem decidir abrir mão de suas armas e procurar um dos postos de recolhimento não precisará fornecer dados pessoais.
Os itens recolhidos serão, além disso, inutilizados imediatamente. O objetivo é evitar que as armas voltem a circular. A destruição total ocorrerá depois, em fornos de altas temperaturas.
O cidadão que entregar a arma será indenizado, e para sacar o valor correspondente - que varia entre R$ 100 e R$ 300, de acordo com o tipo do armamento -, receberá um protocolo com um código ainda no posto de recolhimento. O dinheiro poderá ser retirado dentro de no máximo 30 dias em agências do Banco do Brasil. O Ministério da Justiça tem R$ 10 milhões disponíveis para esses pagamentos.
De início, os postos de recolhimento serão montados em delegacias da Polícia Federal. Aos poucos, também serão habilitadas sedes de ONGs ligadas à área de segurança pública, delegacias da Polícia Civil, quartéis da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.
Antecipação
Originalmente, a nova campanha seria lançada em junho, mas foi antecipada após a tragédia de Realengo (RJ). Lá, no dia 7 de abril, um atirador invadiu a escola municipal Tasso da Silveira e abriu fogo contra os alunos, matando 12 pessoas e ferindo outras 14.
Fonte: R7

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