terça-feira, 3 de maio de 2011

As artes e o pensamento crítico


A Educação em artes nas escolas de um modo geral está muito aquém do que pode alcançar. O que há é um trabalho tímido e com pouco estímulo que não projeta o potencial criativo de cada estudante para que ele possa criar, desenvolver e expor um pensamento crítico a respeito de questões simples até as mais complexas sobre o mundo e a sociedade na qual está inserido. E os professores, podem e devem ser os agenciadores de mudanças da concepção de arte na escola.
Para que isso aconteça, a arte não pode ser encarada como um processo inatingível e apenas admirado, deve ser um processo dinâmico de criação e produção da qual a criança faça parte a fim de ampliar as competências no seu desenvolvimento.
A escola pode contribuir com isso, se fora dos muros dela, são realizadas através das ONGS (Organizações Não Governamentais), produções artísticas que tem o propósito de despertar e aproveitar positivamente a capacidade criativa de cada indivíduo, tornando-o mais sensível, isto pode ser imitado e trazido para dentro das escolas aumentando assim o interesse e o rendimento dos estudantes.
Um exemplo desse trabalho é o Happer MV Bill que já recebeu prêmios devido à sua ativa participação no movimento Hip Hop até pela UNESCO, MV Bill é um dos fundadores da CUFA (Central Única das Favelas) uma organização que tem reconhecimento de diversos setores como cultural, esportivo, social e político. Surgiu da união de jovens que buscavam espaço para se expressarem, hoje conta com apoio da Petrobrás e de vários artistas como a atriz Mariana Ximenes entre outros, para alguns projetos. Viabiliza cursos de grafite, cinema, rádio, televisão, teatro a exemplo da Companhia de Teatro Tumulto formado por artista da Cidade de Deus.
Nossas crianças possuem um conhecimento muito grande a cerca de mundo e como são crianças, recebem e reagem bem aos estímulos através da arte nas suas mais diversas linguagens como teatro, dança, composição de músicas e letras, artes visuais, a exemplo do grafite. Torna-se bastante produtivo estimular a inteligência, desenvolver a percepção, a imaginação, o raciocínio, despertar a emoção além de auxiliar na capacidade criativa direcionando esses conhecimentos e práticas de forma a não perder a batalha para as drogas e os caminhos ilícitos e os tornando cidadãos críticos.
Uma escola pública de Brasília, o Centro de Ensino Fundamental nº. 4 do Gama, conseguiu equacionar um problema de vandalismo incentivando o grafite em seus muros, com uma parceria com dois grupos de grafiteiros, o Força Tarefa e o Ideia Forte Crew, mostrou aos seus estudantes que poderiam ser valorizados por suas ações. Abriu as portas para o contato e o conhecimento das artes. A escola recebeu neste ano uma verba do Plano de Desenvolvimento Escolar para reformar a escola e viabilizar o projeto dos seus orientadores.
Nesse viés, é possível trazer essa iniciativa para dentro das escolas e incentivar os pequenos estudantes a produzirem seus trabalhos desde a mais tenra idade, quando as crianças sentem prazer nos rabiscos iniciais.
Desenvolver trabalhos com materiais simples como no caso dos recicláveis que desperta a consciência para o meio ambiente além de ser um excelente meio de exercitar a criatividade.
Assim, os educadores podem trazer a arte para a sala de aula e contar com essa ferramenta para a formação do cidadão. Embora ensinar arte nas escolas não seja uma tarefa simples, depende muito do empenho por parte dos professores que devem compreender que pela arte se expressa a sensibilidade transmitindo significados.

Um comentário:

  1. Este texto eu escrevi para o nosso Segundo Seminário, o Seminário de Artes e tive a /grata satisfação de te-lo publicado na Tribuna de Petrópolis no dia 06/01/2011.

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